Se nós somos nossos nomes, carregamos com eles nossa história presente e passada, mas não necessariamente a futura. Os passos dados antes e depois da mudança de nome dão o tom de "O Nascimento de H. Teixeira", documentário sobre a vida da escritora, professora, pesquisadora, crítica literária e imortal Heloísa Teixeira, antes Heloísa Buarque de Hollanda - que é exibido com exclusividade no Curta!.
Do antigo sobrenome, que julga espantoso, até sua emancipação e reafirmação com o nome da família da mãe, Heloísa revive, em depoimentos exclusivos e com imagens de arquivo familiar, sua trajetória de questionamentos, luta e indignações. Viabilizado pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), a produção é dirigida por Roberta Canuto e produzida por Clélia Bessa, amiga de longa data da protagonista, da Raccord Produções.
O filme explora como a vida e a obra de Heloísa se entrelaçam com a história da cultura, da política e da sociedade brasileira, apresentando um retrato multifacetado de uma personagem que não só viveu, como foi protagonista nas disputas e contradições do país.
“O que eu imaginei era que eu tinha de inventar outra história. A minha história tinha de virar um novo ator, novo personagem e começar de novo. Então a hora é essa de sair mudando o que eu quero, fazendo o que eu quero. E o jeito de começar isso é sendo Helô Teixeira”, explica ela, que tem sua carreira diretamente ligada aos movimentos feministas.
De Buarque de Hollanda até Teixeira foi um longo e turbulento caminho. Helô, como é carinhosamente conhecida, revive o período de militante durante a Ditadura Militar, enquanto escritora que desafia a censura, populariza e torna notória a poesia marginal, atua como acadêmica e a participa do movimento feminista, que expande seus ideais.
“A gente não sabe nada do que se passa no universo que não é o da classe média branca. Não sabe mesmo. Por isso essa coisa do lugar de fala tem sua razão de ser. A gente não pode falar pelo outro, principalmente quando é de cor diferente, de classe diferente”, acredita Heloísa.
Se sua carreira não pode ser desassociada de suas convicções e atuações políticas, tampouco pode ser sua vida. Para além de questões de comportamento, como a pílula anticoncepcional e aborto, seus medos, como a velhice, e suas paixões, representadas em tatuagens feitas a partir de desenhos dos netos, o documentário escancara o lado humano da Imortal, que assumiu a 30ª cadeira da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2023.
“Eu sinto que olho para trás como futuro, sinto que está acontecendo isso comigo. A minha mãe é o meu princípio, então tem isso de capitalizar o que você já tem. E o que mais quero é usar o capital que produzi a vida toda”, afirma.
A exibição é no dia temático Quintas do Pensamento, 20 de março, às 22h20.
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